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Friday, October 19, 2012
universe. sculpture. tear.
não há receitas, não me lixem. não há métodos. há palavras que combinam com outras, como há cores que combinam com outras, ou formas que combinam com outras, ou estas coisas combinam entre elas, ou então não combinam mas traduzem alguma coisa, e assim comovem. porque significam. fazer combinar é descobrir uma ordem, e ninguém sabe dessa ordem que não nós mesmos. é uma brincadeira séria. o mínimo de respeito.
Saturday, September 29, 2012
THE BOOK
O ensaio ganhou corpo.
Edição limitada de autor, assinada e numerada.
São 136 páginas, 16x16 cm, impresso a 4/4 cores, em papel couché 150grs, capa mate 250grs, com acabamento de lombada cosida e colada.
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10€ (riso) + portes de envio
(ou entregue pessoalmente com um abraço)
os afortunados que já se cruzaram com esta obra reagiram com surpresa.
também houve histeria e desmaios.
fica o aviso.
Monday, April 09, 2012
wall.paper.skin. II
numa terra de pedra não sei onde, era um cenário exaustivamente granitíco mas luminoso, um deserto cinzento, sólido, denso. mil formas de rochas, chão de calçada, altar embasado e ao centro um tanque pleno com gravilhas. há um cheiro, ou um som, ou um instinto de mar próximo. a amplitude do olhar varre o chão até à altura de um corpo. o plano é picado. nunca se vê efectivamente o céu mas há uma certeza que é também cinzento. denso. claro. quase, quase branco. ele é feito de desenho riscado mas está seguro, confiante, e feliz. no altar, no tanque, que é uma espécie de bancada quadrangular, ele vai dobrando jornais em formas específicas. sem propriamente uma razão fá-lo porque genuinamente lhe apetece. sentem-se presenças mas não está lá ninguém. mas de certeza que está só não se sabe. a rapariga aparece e a ganga na roupa soa familiar, sugere uma textura pétrea que a aproxima deste lugar, poderia muito bem fazer parte dele mas não se sente a falta da sua presença. o diálogo é doce, seguro. e embora não se sinta a falta da sua presença, o desejo da sua pertença funda aquele chão de uma forma atraente e gentil. e se ela se for embora há-de marcar um trilho específico com passadas amarelas. e ele repetirá essa memória todos os dias até morrer cobarde. porque reconhece-se feliz e confia na felicidade dela também. a erosão parece não matar mas também não nos torna mais fortes. amacia. apaga. destrói.
Friday, March 30, 2012
arte urbana
o caos da escala; a escala do lugar, o lugar das pessoas e essa relação; limites e confrontos. é também por isso que a street art existe: para responder com a escala que a cidade ganhou e os tempos exigem. as imagens são maiores que nós. os discursos triunfam sobre silêncios edificados. a pintura é parede com sintomas. manifestação e cura.
haverá remédio sem desenho. pergunto.
Saturday, March 17, 2012
finale
obrigado por voltarem ao blog. obrigado àqueles que veêm e aqueles que comentam. poderia escrever mais, mas isto é o fundamental. obrigado. acrescento só que a preocupação do ensaio nunca foi uma estética. na verdade, foi quanto muito uma ética. a ética da resistência perante o mau, a injustiça e o infortúnio, a ética da insensibilidade a um meio nocivo e funesto. cinquenta por cento fanatismo cinquenta por cento emoção. "a doutrina é heróica e útil em mundo mau; mas nem é inteiramente verdadeira nem fundamentalmente sincera". desta forma, o ensaio é sobretudo útil. é desta maneira que reside a sua legitimidade, porque vem verdadeiramente servir ao Homem e não existe salpico de ócio na sua génese; antes heroísmo e utilidade. a crise está em nós. é só isto. foi.
Wednesday, March 07, 2012
Monday, February 27, 2012
ó dois
"O estoicismo, diversamente das filosofias puramente gregas, era estreitamente emocional e em certo sentido fanático" (...) "Quase todos os sucessores de Alexandre, todos os reis ulteriores a Zenão, se declararam estóicos" (...) "Sócrates foi o patrono dos estóicos através da sua história; a sua atitude no sofrimento, a recusa de fugir, a serenidade perante a morte, a sua afirmação de que o injusto é mais infeliz do que a vítima" (...) "Zenão negava o acaso e cria na rigidez das leis naturais. Originalmente só havia o fogo (...) cedo ou tarde haverá uma conflagração cósmica e tudo reverterá ao fogo." (...) "A virtude consiste em uma vontade acorde com a natureza". (...) "A virtude é o único bem da vida individual; saúde, riqueza, bens, nada conta. Como a virtude está na vontade, do homem depende o bom ou o mau da sua vida. Pode ser pobre, mas que importa? Pode ainda ser virtuoso. Um tirano pode prendê-lo, mas ele pode continuar a viver de harmonia com a natureza. Condenado à morte, pode morrer nobremente como Sócrates. Outros homens só podem ter poder sobre o exterior; a virtude, verdadeiro bem, é individual. O homem é livre, desde que se emancipe de desejos mundanos." (...) "Sobre a crueldade e injustiça, elas dão à vítima a melhor oportunidade de exercitar a virtude." (...) "Para o estóico a virtude é fim em si, e não alguma coisa que leva ao que é bom. E qual é a solução última? A destruição do mundo pelo fogo e a repetição do mesmo processo. Há mais devastadora futilidade?" (...) "O estóico não é virtuoso para proceder bem, mas procede bem para ser virtuoso. Não lhe ocorre amar o próximo como a si mesmo; amor, excepto em sentido superficial, está ausente da sua concepção de virtude." (...) "É desnecessário construir templos, nada de grande valor ou sagrado pode ser obra de construtores e mecânicos." (...) "Devem-se aos estóicos o silogismo hipotético e disjuntivo, assim como a palavra disjunção e o estudo da gramática." (...) "Mostrai-me um homem modelado pelos juízos que profere, como uma estátua de Fídias é modelada pela arte de Fídias. Mostrai-me um homem, doente e ainda feliz, em perigo e ainda feliz, moribundo e ainda feliz, exilado e feliz, em desgraça e feliz. Mostrai-mo. Pelos deuses, gostaria de ver um estóico. Não podeis mostrar-me um estóico completo; mostrai-me então um que já venha a caminho. Pensais que ides mostrar-me o Zeus ou a Ateneia de Fídias, essa obra de ouro e marfim? Eu desejo uma alma; mostrai-me a alma de um homem que deseje unir-se com deus e não se queixar de deus ou do homem; não errar, não sentir o infortúnio, ser isento de cólera, inveja e despeito, homem que deseje mudar a sua humanidade em divindade, e que no seu pobre corpo encerre o propósito de união com Deus. Mostrai-mo. Não podeis." (...) "Não podemos ser felizes mas podemos ser bons; admitamos que enquanto formos bons pouco importa sermos felizes. A doutrina é heróica e útil em mundo mau; mas nem é inteiramente verdadeira nem fundamentalmente sincera."
[Zenão, Séneca, Epicteto, Marco Aurélio, Crísipo, Possidónio, Cícero, Gilbert Murray, Bertrand Russell]
[Zenão, Séneca, Epicteto, Marco Aurélio, Crísipo, Possidónio, Cícero, Gilbert Murray, Bertrand Russell]
Wednesday, December 14, 2011
self a roxo
'tava para aparecer uma coisa destas. um rosto caducado que cicatriza, uma noite acromática que aclara, uma porção de convicções cristalizantes ao ritmo tímido duma premonição celeste, sem parar o tempo, por cima de um tempo que não é o meu, dentro de um tempo de barulho mas quase quase a fazer-se inofensivo. por cima disto, uns quantos pontinhos brilhantes ou pozinhos mágicos ou flocos de neve amarelos.
Thursday, November 24, 2011
Wednesday, October 26, 2011
Saturday, September 17, 2011
Thursday, September 08, 2011
flag
o Ensaio está a cumprir-se. mais ou menos dormente, mais ou menos convalescente, vai resistindo. alheio a meteorologias e estações, calendários e fins-de-semana, não larga mão da promessa selada nem cede ao despropósito dos acontecimentos alheios. a vida acontece, sim, mas aqui dentro isso não é tão importante, aqui dentro a natureza bucólica do quotidiano não é a mulher mais cobiçada, mesmo permanecendo em desejo; isto aqui é terreno rude, coisa de homens, local de batalhas e escassez de meios, um par só de prioridades traçadas, onde se abandonam alegrias e brincadeiras para assegurar o desígnio, lá está, da lucidez.
coisa pouco afável, portanto.
mas o Ensaio para além desta missão, tem esta coisa de prova, de exercício; esta coisa de ensaio que é uma coisa de experiência, de tentativa e de esboço. o que se opera aqui é ensaiar a vida. provocar o parto de coisas simples, lidar com a fragilidade dos ímpetos e tentá-lo com a imprevisibilidade controlada. não. controlando a imprevisibilidade descontrolada, assim é que é. no fundo tudo isto é complicado porque o que está em jogo é simples. e como é simples, não pode haver chance para falhar. por isso se desenvolveram estes mecanismos estoico-gráficos, é por isso que se evocam figuras de estilo e de escárnio, se desenham disparates e fé. é uma cena de cúmplices, um private catharsis neste elo de lealdade transcendente entre blog e blogger, ou de meio homem para meio homem, como de um membro para outro, sem que se larguem mãos estendidas nem se cedam a veleidades transitórias.
sem ritmo definido a seguir, veremos o que se segue.
Wednesday, July 06, 2011
estão convidados
quando rumarem ao oeste para um passeio na praia, atrevam-se numa visita ao Paços do Município de Torres Vedras. não custa nada entrar, e vale muito descobrir o que cada aguarela tem de Portugal, mesmo se escorrida do pincel de artistas europeus. a começar pela representação desta técnica em território nacional, como exemplo. podem encontrar dois trabalhos meus por lá. boas férias
Sunday, April 10, 2011
blank
são vinte e três anos nos músculos e algumas gerações em sinapses. as almas constituídas como a minha nascem velhas e vivem vencidas. hoje é assim; como Fernando Pessoa escreveu no século passado.
Saturday, April 09, 2011
Monday, April 04, 2011
algures
uma catástrofe pessoal. as vítimas são todas a mesma e os estragos situam-se na escala de merda.
Tuesday, March 08, 2011
epistemologia
é preciso um mínimo de inteligência para poder pôr a hipótese de renegar o ser inteligente por instantes. por outro lado, é preciso alguma dose de estupidez para o fazer de facto.
Thursday, February 24, 2011
« eu já nem sei se quero sossego,
esperança ou desastre »
estes últimos dias têm acontecido sem graça, com poucos desenhos, sintoma e causa em causa, silêncio, e maçãs. como as imagens e as palavras vão apanhar ar, deixo o Pedro Mexia calar-me, a mim, a este lugar, e estes dias.
Sunday, February 06, 2011
Wednesday, February 02, 2011
favorite color
o fim de tarde a romper pela janela do autocarro, contra aquele semblante cansado e de pele morna, de olhos cintilantes e cabelo a incendiar. se o calor de inverno tem uma cor específica, não é outra senão especificamente esta. assim.
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